
Bienvenidos a mais uma edição do
FurrECA Entrevista. Desta vez, eu e Santo, o garoto decibel, visitamos Mitikofis IV, vulgo Alice Mitika Koshiyama, em seu sarcófago localizado no Departamento de Jornalismo e Editoração para um bate-papo descontraído e cheio de surpresas.
Um breve histórico sobre Alice Mitika:
Durante o século XIX, exploradores franceses tiveram acesso a uma das mais antigas pirâmides do Egito, a pirâmide de Mitikofis IV, cuja idade é estimada em aproximadamente 6000 anos. Ao abrirem o sarcófago, os exploradores se depararam com inscrições que diziam "Que é história?".
Deitada há 6 milênios em seu sarcófago estava a múmia com o melhor estado de conservação já vista, aparentemente ainda dotada de vida. Seu nome era Mitika, e possuía um incrível conhecimento sobre a história das mulheres. Instigados com tal descoberta, os exploradores decidiram estudá-la com mais afinco e ouvir o que ela tinha a falar, mas depois decidiram que valia mais a pena ir para a Quinta Queijo e Vinho.
Um belo dia, quando os franceses entregavam a estátua da liberdade aos norte-americanos, por obra de um fetiche doentio de um dos tripulantes, estavam presentes o sarcófago e a múmia que por um acaso do destino acabaram naufragando e vieram parar na costa brasileira, onde Mitika desenvolveu um interesse particular pelo jornalismo e decidiu lecionar na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Quando adentramos sua sala, Mitika estava terminando de comer os quitutes que havia roubado de uma palestra recém-terminada no Auditório Freitas Nobre. É bom lembrar que, não fossem essas palestras com boca-livre e as tias da limpeza que eventualmente a alimentam, Alice não teria como sobreviver neste duro mundo uspiano.
O cheiro de naftalina e gaze invadia nossas narinas, mas, como bons jornalistas, enfrentamos esta dificuldade e nos acomodamos para a entrevista. Munidos de um guarda-chuva contra o ataque de baba e um óculos contra o ataque de laser, nos preparamos para começar a entrevista.
Equipe FurrECA: Obrigado por nos conceder um horário em sua agenda tão lotada! Professora, para começar, correm boatos por toda a ECA de que a senhora é uma moradora do CJE, posto que já foi vista perambulando pelo departamento altas horas da noite. Quão verdadeira é esta lenda?
Mitika: É uma lenda falsa, porque todos sabem que sou uma senhora de idade, aposentada, e como todo bom aposentado, vou dormir cedo. Mal consigo agüentar os seminários chatos que os alunos fazem. Dá vontade de fazer palavras cruzadas, ou mesmo dormir. Bando de alunos picaretas.
Equipe FurrECA: Como todos sabem, a senhora é uma entusiasta de Karl Marx. Gostaríamos de saber se algum tipo de relacionamento a mais ocorreu entre essas duas figuras ímpares da história.
Mitika: Ah, Karlinho... Quantas coisas a gente passou junto. Eu me lembro de você baixinho, gordinho e careca com seus 30 anos, e eu com meus tenros 5700 anos de idade. Aquela barba... Quantas loucuras... Loucuras o quê, mesmo? (Pausa para raciocinar) Porque o meu chefe era um baita reacionário machista! Graças a ele eu comecei a queimar sutiãs!
Equipe FurrECA: Professora Alice, notamos que, no decorrer da aula, sua boca vai acumulando quantidades estrondosas de saliva nos cantos. Isso ocorre em virtude de uma falta de prótese dentária?
Mitika: Falta de prótese? Acho que não. Do que a gente tava falando mesmo? Ah, é, da saliva. Todo mês eu vou ao dentista pra arrumar a minha dentadura, mas parece que ela apodrece devido ao excesso de umidade, não sei o que acontece. (Nesse momento, Alice tira sua prótese para nos mostrar. O aparelho pinga saliva, sujando nossos sapatos.) Mmnf, hhhnf... dfentadfura...
Equipe FurrECA: A maior acusação contra a senhora é a de nepotismo na universidade, conseguindo uma vaga para sua filha, Vanessa, e agraciando-a com nota e freqüência máximas - a única, diga-se de passagem. O que tem a dizer sobre essas acusações?
Mitika: Nepotismo? Eu não sou mãe, eu não tenho filha nenhuma! O único homem pelo qual me interessei foi aquele lá... Como era mesmo o nome dele? Tem o mesmo nome do amigo do Santoro... Ah, lembrei! Alexandre. Alexandre, o Grande; é isso. Eu tentei me aproximar dele, mas me decepcionei depois de saber que, apesar de ser "grande", era uma bichona. Desde então, nenhum homem chegou perto de mim novamente.
Equipe FurrECA: Alice, o Brasil todo quer saber: quantos anos a senhora tem?Mitika: Bem, essa é uma pergunta complicada. Deixe-me ver... (Neste momento, a entrevistada começa a contar nos dedos e, depois de cerca de 3 horas, nos dá uma resposta) Eu tenho aproximadamente 6000 anos, acho. Não tenho bem certeza, porque não lembro bem do dia em que eu saí da ilha que hoje é conhecida por Japão. Lembro só da minha infância feliz em meio a pirâmides e hebreus escravizados. Eu fazia castelinhos de areia, tomava banho no rio Nilo, brincava de pique-esconde com os filhos do Faraó e me divertia ao chicotear alguns escravos. Como nem tudo é eterno, durante minha adolescência me mudei pra outro lugar, mas esqueci o nome de novo... (Outra pausa, na qual a entrevistada colocou seu Windows 3.11 Linux mental pra funcionar) ... Ah, é, Sodoma e Gomorra. Lá passei minha tenra adolescência, quando, após intensas sessões de "amor", adquiri o mal que até hoje carrego: a hemorróida. Por sorte consegui fugir da destruição do local, e voltei para o lugar que eu tanto amava, o Egito. Lá resolvi tirar uma soneca, mas aqueles malditos exploradores acabaram me acordando. (...) Qual era a pergunta mesmo?
Equipe FurrECA: O que a senhora acha da turma Jornot 2007?
Mitika: Mas vocês são alunos? Não lembro de vocês durante as aulas. Eu sou ruim com nomes, mas geralmente me lembro dos rostos... Acho que isso é falta de sono decente. Essa entrevista não é pra revista Hemorróida & Você? Tinha certeza que era. Mas qual era a pergunta? (Repetimos) Jornot 2007? É a sala pra quem eu falo babos... dou aula de História do Jornalismo I? É uma sala estranha. Quando eu entro na sala, ela está vazia, os alunos só aparecem às 20:10, e às 20:30 a sala já está vazia de novo. Durante esses 20 minutos, o pessoal fica conversando, atrapalhando quem quer prestar atenção na matéria! Não lêem os textos e depois querem ficar palpitando! São idiotas ou o quê? Eu sou aposentada, já poderia ter parado de trabalhar, poderia ser uma professora picareta como muitos, mas não sou! Estou sempre dando minha aula pra tentar construir jornalistas decentes, mas parece que eles estão mais preocupados com a tal da Quinta & Pinga! Depois não sabem por que o jornalismo está do jeito que está.
Equipe FurrECA: Muito obrigado pela entrevista, professora. Para finalizar: afinal, que é história?
Mitika: Que é história? Isso não está na pauta de hoje! Vocês leram o texto que eu passei, por um acaso? Isso é da matéria do ano passado, Fundamentos Teóricos da História, do livro em que o Carr fala sobre a concepção de história, e como ela é subjetiva, de acordo com o historiador que a analisa. Por exemplo, podemos pegar a históóóóóóóóória das mulheres e analisar sob diferentes óticas pra, então...
Santo: Ow, vamo vazá.
Mitika: Aonde vocês vão? Eu não acabei ainda. Ah, quem liga? Toma a lista, assina; eu vou dar 82% de freqüência e 8,5 pra todo mundo no fim do semestre, mesmo.
Equipe FurrECA: Menos pra Tainã, né...
Assim termina esse bate-papo com uma das maiores lendas da Universidade de São Paulo, Alice Mitika - mais conhecida como a ilustre sogra de Vandson Lima. A seção FurrECA Entrevista entrará em um período de pequeno recesso, pra darmos mais espaço às novas seções criadas, mas aguardem que, quando menos esperarem, estaremos publicando uma exclusiva com alguma outra celebridade. Abraço!