quarta-feira, 28 de maio de 2008

Grandes Clássicos do Cinema: O Demolidor


Amiguinhos, confiram abaixo nova edição da aclamada coluna Grandes Clássicos do Cinema, que pretende, através de um olhar crítico e semiótico, ressaltar todas as minúcias de várias obras que foram "sucesso" de bilheteria e crítica. O objetivo deste trabalho é dar um "upgrade" cultural em nossos milhões de leitores, dessa forma contribuindo para o fim da alienação imposta pelo cinema holywoodiano. E o segundo filme analisado é...

O Demolidor (Demolition Man) - 1993


Direção: Marco Brambilla
Elenco: Silvester Stallone, Wesley Snipes, Sandra Bullock, Nigel Hawthome, Benjamin Bratt e Rob Schneider
Roteiro: Peter M. Lenkov e Robert Reneau

Sinopse: Em 1996, um perigoso bandido é preso por um policial, mas, no julgamento, ambos são condenados - o bandido pelas atrocidades que cometara, e o policial, pelo excesso de violência usada - a ficarem congelados por um período de 70 anos. Quando, porém, o bandido consegue escapar, o policial também é descongelado, pois é o único homem no futuro capaz de capturá-lo novamente.

O Demolidor pode ser considerado precursor de uma das grandes escolas do cinema mundial, chamada por Bob Bowfinger, aclamado diretor, de cinema nouveau. Inspirado na temática de obras como 2001: Uma Odisséia no Espaço e Laranja Mecânica, do genial repertório Kubrickiano, o filme de Marco Brambilla retoma a discussão acerca da incerteza quanto ao futuro, as angústias e especulações a respeito das conseqüências dos atos dos homens e seu impacto nas eras vindouras. Outras questões de igual relevância são introduzidas de modo sutil ao longo da película, resultando em incômodo, reflexão, e fornecendo insumos para debates sobre diversas preocupações contemporâneas.

A história nos apresenta John Spartan (interpretado por um Stallone inspirado), que, apesar de ser um dedicado policial a serviço de sua cidade, Los Angeles, é conhecido por seus métodos pouco ortodoxos de coerção. Somos introduzidos aos personagens no momento em que Spartan se vê envolvido em uma perseguição ao perigoso ladrão e homicida Simon Phoenix - uma das mais sensíveis e profundas interpretações de Wesley Snipes. Utilizando todo seu conhecimento bélico, o policial consegue capturar Phoenix, entretanto, sua missão provoca efeitos colaterais. Diversos civis são mortos durante a operação empreendida por Spartan, que é considerado culpado pelas baixas.

Tanto Spartan quanto Phoenix são condenados a uma prisão criogênica, devendo permanecer congelados durante 70 anos. Entretanto, a trama passa por uma reviravolta quando Phoenix consegue fugir de sua crioprisão, como chamada no filme, e passa a cometer atrocidades na Los Angeles do futuro. A única solução capaz de contê-lo acaba sendo a libertação de John Spartan, considerado o único homem daquela realidade com conhecimento e recursos capazes de capturar Phoenix.

A ação se desenvolve naquilo que parece ser a concepção do diretor de como será o mundo dentro de algumas décadas, e a observação dessa realidade idealizada nos permite identificar diversas questões e discursos articulados enquanto os acontecimentos se processam. Inicialmente, a crítica ao ufanismo dos norte-americano, bem como à sua xenofobia salta aos olhos. Na Los Angeles do futuro, chamada de San Angeles, os estrangeiros são retratados como serviçais, ocupando menores cargos, voltados para a garantia do bem-estar e do conforto dos cidadãos americanos.

Um exemplo do gritante preconceito que caracteriza essa sociedade é a evidente dificuldade de inserção dos imigrantes mexicanos no mercado de trabalho. A eles não é permitida outra posição, senão a de funcionários da única cadeia de restaurantes da cidade: o Taco Bell. O filme protesta contra essa situação, e a crítica atinge seu clímax quando John Spartan se recusa a fazer suas refeições nesses restaurantes, preferindo pratos a base de carne de ratos, servidos no subterrâneo da cidade.

Outra questão levantada por Brambilla em O Demolidor é a racial. Em contraposição ao racismo, moléstia que assola o mundo contemporâneo, o diretor provoca polêmica ao buscar a descaracterização do vilão como o típico afro-americano injustiçado, sem oportunidades, cuja única saída é o mundo do crime. O bandido Simon Phoenix é retratado como um homem requintado, com vastos conhecimentos de tecnologia. Além disso, Brambilla introduz com maestria a reflexão sobre a dualidade do ser humano enquanto vilão, apresentando-nos um personagem negro com os cabelos tingidos de loiro. Impressiona a sutileza com que o autor nos sugere que tanto arianos quanto negros podem enveredar pelo mundo do crime.

A supressão da libido como forma de elevação do homem ao topo da escala evolutiva também é tratada em O Demolidor, ilustrada pela cena em que Lenina e Spartan experimentam o contato sexual virtual, sem troca de fluidos - a procriação é feita através da fertilização in vitro, para que o crescimento populacional desenfreado seja evitado, tornando também possível a seleção genética dos fetos. É a manifestação da sensibilidade de Brambilla ao abordar tópicos tão delicados e controversos como a sexualidade e o controle populacional.

O filme ainda nos reserva algo surpreendente: sua referência a obras clássicas da literatura universal. Somos brindados com a presença da personagem Lenina Huxley (Sandra Bullock, impecável), que carrega o mesmo nome da célebre personagem de Admirável Mundo Novo e o mesmo sobrenome do autor desse livro, Aldous Huxley.

Por fim, é manifestado no filme o lado enigmático do diretor Marco Brambilla. Num futuro onde todos os restaurantes são mexicanos, bandidos refletem a dialética entre bem e mal, certo e errado, e o ato sexual é virtual, há espaço também para indagações relacionadas à higiene. O policial John Spartan é apresentado a um peculiar método de assepsia pós-defecativa: o uso de três conchas. Entretanto, a genialidade sem limites de Brambilla nos deixa com um enigma por resolver. Embora fique latente o fato de que as conchas devem ser utilizadas na higienização após a evacuação, o modo como isso deve ser feito não é descrito, nos remetendo a outro grande enigma literário: Dom Casmurro, obra escrita por Machado de Assis à altura de O Demolidor, também deixa em aberto o debate sobre a infidelidade de Capitolina.

O Demolidor é um filme completo. Suscita discussões, reflexões, denuncia mazelas sociais, e nos dá espaço para especulações sobre o inquietante enigma das três conchas. Uma obra prima.

Nota FurrECA: 10/10

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Um breve panorama de Cuca, do Botafogo

Muitos não conhecem Alexi Stival, o técnico Cuca. Um dos principais responsáveis pela formação do São Paulo tão vitorioso em 2005 - ele treinou o time no ano anterior, montando a base - e pela boa fase que o Botafogo vem atravessando há 2 anos, infelizmente o treinador não tem tanto reconhecimento por parte da torcida de outros clubes. Muitas vezes algum desavisado pergunta a ele "mas quem é Seu Cuca?", à qual o técnico só tem uma coisa a dizer:



Instigante.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Equipe FurrECA Entrevista: Prof. Dennis de Oliveira

Depois da rebombante entrevista com Alice Mitika, voltamos à ativa com uma nova empreitada, desta vez com nosso querido ex-professor e leitor assíduo deste espaço: Dennis de Oliveira.

Dennis, como todos sabem, começou trabalhando vestido como Shake, o boneco roxo amigo do Ronald McDonald, no McDonalds da Cidade Universitária, na FFLCH (o "restaurante" foi fechado há alguns anos, depois que alguns alunos "reclamaram" de sua presença por ali). Daí nasceu sua paixão pelas humanidades. Depois do serviço, Dennis ficava horas nas bibliotecas da USP, buscando realizar seu sonho: tornar-se professor. Com muito esforço, e uma ajudinha do dinheiro juntado depois de suas participações em Toy Story 1 e 2 (como Sr. Cabeça de Batata), Dennis tornou-se professor do CJE, e passou a comandar o mais popular jornalzinho da USP: o Notícias do Jardim São Remo.

[À direita, Dennis em começo de carreira: era odiado no McDonalds da FFLCH]

Encontramos o professor no Bar do Baixinho, vizinho ao Buracanã, na São Remo. Ele tomava uma água com gás e apurava pautas com os moradores por ali. Depois de ouvir muitas reclamações das crianças, que diziam que o São Reminho nunca mais foi o mesmo depois da passagem de Renato Santino pela editoria do caderno, Dennis presenteou-nos com um gostoso bate-papo. Eis aqui a nossa conversa:

(Nota da Redação: tendo em vista o fato de que o professor entrevistado fala na velocidade da luz², e nossos gravadores não conseguiram gravar nada, reproduzimos a entrevista na íntegra, com as palavras coladas e tudo, do jeitinho que nós tentamos entender. Mas separamos as palavras no padrão normal / negrito, para ajudar você, folgado leitor)

Equipe FurrECA: Fala 'fessôr! Tudo certo?

Dennis: debrincadeiracomaminhacara? Poracasoeufalotudocerto? Eufalorápidomesmo! Ninguémconsegueentenderoqueeufalo! Nemvocê! Querver, querver, querver? pegásuamãe, eunstapanela, entendeu?

Equipe FurrECA: Ah, legal 'fessôr, que bom que está tudo bem, então! Conta aí pra gente, como você avaliou a passagem da nossa turma pelo NJSR?

Dennis: Pracomeçar, ninguémnuncatinhatiradotantosarrodaminhacara... enaminhacara! Cêssãounsviados! Maseugostodoblog, cêstêmtalento, têmtalento... Nãotantoquantoeumas, têmumtalentozinhosim... Masaturmadevocêspegoubemapropostadojornal: jornalzinhosimplesdaporra... tinhaummontedeerrodeportuguês, errodeedição, umaporcaria...

[Ao lado esquerdo, reprodução do rascunho que Dennis fez enquanto nos concedia essa entrevista]

Equipe FurrECA: Puxa, 'fessôr, que bom então que você achou que foi tudo bem! Nos sentimos lisonjeados por você ressaltar o fato de que nós cometemos pouquíssimos erros! Mas vamos em frente: qual seu grande sonho num futuro no CJE?

Dennis: Meumaiorsonhoépegásuamãe! Hahahaha, brincadeirabrincadeira! Meumaiorsonhoéterumasalabrancapramim, comumaestagiáriaboazuda, usarchapéupanamá, óculosoctogonais, falaralemão... eternaminhasalaum "CERTO" professorempalhado... elenãogostamuitodemimnão... maseugostodele, eugostodele... éumteóricodaporra...

Equipe FurrECA: Sua simpatia chama a atenção por onde você passa! Diga aí: quem são seus grandes amigos no CJE?

Dennis: Souamigodetodomundo, vocêmeconhece, souumcaraboapraça... Maseugostomuitodaminhavizinhadesala, aAliceMitika... meusonhoéescreverumlivrocomela, igualooutroprofessoraí!

Equipe FurrECA: Você já teve grandes problemas na São Remo?

Dennis: MeuproblemaeraquandoeudesciaatéoRiachoDoceetinhaquesubiraquelarampadaporradevolta... Eusouumcarafofinho, nãogüentomuitoessascoisa...

Equipe FurrECA: Mas ninguém nunca saiu pela comunidade perguntando sobre o "assunto proibido" (O TRÁFICO) ?

Dennis: Teveaturmade82... elessaíram, masatéagoranãovoltaramcomasmarias... o SãoRemode82atrasado...

[À direita, a turma de 82, que foi e não voltou]

Equipe FurrECA: Descreva para nós sua paixão pelo jornalismo.

Dennis: DesdequandoeutrabalhavacomoShakenoMcDonalds, sabiaqueeutinhaumaveiaartística... masomeuobjetivodevidaeramostrarpratodomundoqueeunãosouumrostinhobonito, numcorpinhosaradão... eojornalísmoeraminhaoportunidadedefazerisso!

Equipe FurrECA: Você se sentia muito incomodado de dividir sua aula com uma Quinta & Breja?

Dennis: Nuncameincomodou... sóestranhavao"sumiço"dosalunosdepoisdointervalo, achoqueelestinhamoutraaula, seilá, iamapurarpautanaSãoRemo... masaúnicacoisaquemeincomodadeverdadeédividiroCJEcomumcertoprofessoraí... eugostodele, maselenãogostamuitodemim... foraisso, nãosouegoísta, tenhoumcoraçãodemãe... aliás, jáfaleiquevoupegartuamãe?

Equipe FurrECA: Apesar de você ser modesto quanto à sua aparência [Dennis foi eleito Mr.CJE por 7 anos consecutivos], a galera elogia muito seu "style" e seu guarda-roupas. É difícil ser "cool" e "intelectual" ao mesmo tempo?

Dennis: Quehistóriaéessade"style"? Vaitománo"cool", vocêsseusviados! Hahahahabrincadeira, gostod'ocês, gostod'ocês! Nomeuguarda-roupatemimportado: fuipraCiudadDelEstesemanapassadaevolteicarregadode! cadavezmais"caliente" [lambe o dedo e coloca no bum-bum, fazendo o clássico barulhinho de "pssss"]... reparounacamisaabertaenasandáliadecouronovas? Hehehehe, sougalã, sougalã...

[É assim que Dennis recheia seu closet: horas de trânsito na Ponte da Amizade]

Equipe FurrECA: Qual sua opinião sobre o Labri, o Scribus...?

Dennis: Olabriéminhasegundacasa... équeeumeconectocomomundo, comaSãoRemoecomasuamãe hahahahahaha, brincadeirabrincadeira! felizdeverqueoscomputadorestãobemcuidados, atualizados, funcionandodireitinho... DáatéprajogarumtrucoonlinecomoAlexandre! QuantoaoScribus, vocêsaindavãomeagradecernofuturo, vocêsvãover, vocêsvãover! Comodizumamigãomeu: "xornalismoéassim" [estala os dedos freneticamente, dando a impressão de que colocou uma pipoca no microondas].

Equipe FurrECA: Você pratica esportes regularmente?

Dennis: TemapeladadefimdesemananaSãoRemo, eapeladadasuamãe... Hahahahaha!Sacaneei!

Equipe FurrECA: Puxa professor, não imaginávamos que o senhor era um esportista convicto! A próxima pergunta é aquela que todas as garotas desse mundo querem saber: como vai o coração?

Dennis: AndeimandandofloresefazendoserenatasparaaDonaFatinha, umasãoremanadaporra! Maselanãoquernadacomigo... mastuamãequer! Hahahahaha [ri jocosamente]. Brincadeira, brincadeira! Tô, disponívelnomercado... vouversecrioumClassificadoAmorosonoSãoRemo...

Equipe FurrECA: E pra terminar, uma curiosidade: como foi participar de Toy Story 1 e 2?

Dennis: Foiumaexperiênciaincrívelparamim... fiqueisurpresoaovercomoelespodemfazertantacoisacomtãopouca
maquiagem! EraEUali, eraEUali! OúnicoproblemaéquequandoeuchegonaSãoRemo, ascriançasmereconhecemequeremtirarmeunariz, minhasorelhas, meusóculos... sacanagem, sacanagem...

[Abaixo, Dennis em ação durante as filmagens de Toy Story 1]

Equipe FurrECA: E numa dessas de tirar as orelhas e o nariz, alguém tirou alguma coisa "mais importante"?

Dennis: Hahahaha, seusengraçadinhos, saqueioquevocêsqueremdizer! Tiraramsim, encaixaramnolugardonariz. PasseideSr.CabeçadeBatataparaPinóquioemquestãodesegundos , hehehehehehe! [Dá uma piscadela para nós; fingimos acreditar]

Equipe FurrECA: O chorinho: mande um recado para quem não gosta do NJSR e está pedindo a sua cabeça no departamento.

Dennis
: Emprimeirolugar, acabeçadoprofessorpraquemquiser, hahahahaha! Depoisagüentaasconseqüências! Alémdisso, durantetodosessesanosfizumasboasamizadesnaSãoRemo, logo, agoraaspessoasquenãogostamdoNJSRamanheceigualzinhoàsluzesda
comunidade
: apagadas! [faz cara de mau; damos risada].

Bom galera, essa foi a entrevista com nosso querido Dennis de Oliveira! Deixe seu comentário aí abaixo!

(um grande abraço para o Dennis de verdade!)

Abraaaaaço!

domingo, 11 de maio de 2008

Pelo equilíbrio do meio ambiente



Achamos o coitado na Rua do Matão e queríamos levá-lo à Faculdade de Veterinária. Por sorte, arrumamos um motorista caridoso para ir na frente.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Prefeitura cria linha para solução de dilema

Agora ficou mais fácil tomar sua decisão. Além do tradicional trem, o prefeito machão Gilberto Kassab (nas rodas de samba conhecido como Giba; em outras rodas como Gibiba) aprovou a criação de uma nova linha de ônibus que auxiliará a população a resolver o dilema proposto no post anterior. Só não sabemos se a condução é capaz de comportar tanto ferro quanto os passageiros eventualmente desejarão levar.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Vazando do trabalho no Primeiro de Maio

Primeiro de Maio. Uma data para se refletir e protestar acerca do trabalhador, no mundo todo. O proletariado deixa de trabalhar um dia para mostrar sua força política, fazer exigências, comemorar esta data... Enfim, para que constatem sua exsitência. Vejamos o que um grande exemplo de engrenagem da máquina capitalista - um trabalhador - faz durante seu 1º/5: Renato Santino.

Após uma jornada árdua no PC durante a madrugada, jogando Truco Online com seus amigos e levando seu Bahêa à Libertadores no Football Manager, Santo deu um oversleep e acabou acordando às 14h, sob protestos infindáveis de sua mãe (sim, aquela quituteira que vende tapioca no Terminal Parque Dom Pedro). Para compensar tantas horas de sono, ela o obrigou a pelo menos levar o lixo pra fora. Santo, vendo a porta aberta e ninguém para impedí-lo, se sentiu na obrigação de vazar.

Renato, então, pega o primeiro cipó à esquerda de seu bungalow na Zona Lost, rumo à casa de sua namorada. No caminho, ele avistou uma velha senhora que tentava, em vão, atravessar a rua. Usando de toda sua bondade - afinal, Santo é um ogro, mas tem um coração enorme -, ofereceu para ajudar a pobre velhinha. Após a boa ação, a despedida.

— É nóis, véia! Aqui é Curintia! Falou aí!, exclamou Santo.
— Curintia? Seu menino mal-educado, tira as patas de mim. Cazzo, vaffanculo, si sporca ragazzo! Raviolli, canelonni, pagliaaaaacci!
— Que é isso? Não tomou seu remédio? Por isso que você tá assim, esclerosada!
— Vazzi di qui, io sono PARMÊRA, porra!, disse a velhinha, expulsando Santo dali a bengaladas.

Desolado com o tratamento desprendido pela velhinha palestrina, Santo decide que não é a hora da virada, mas sim a hora de fazer algo útil, e acaba indo à casa de seu orientador de iniciação científica, Prof. Dr. Luiz F. Santoro. Ao chegar no edifício - que, diga-se de passagem, é o modelo mais belo da arquitetura parisiense já visto aqui em terras tupiniquins -, Renato nota algo de diferente. Logo na entrada, dá de cara com Dennis de Oliveira.

— Prof. Dennis! O que você faz aqui?, perguntou Sanctvm.
— Vocomêtuamãe, hehehehe [palmadas]... Euesantorotamoaqui pradá unstapa naquelasafada, hehehehehe... Mechama de Seobatatão, vaivaivai! Créucréucréu! — acho que não preciso indicar quem é esse...
— Ah, claro, professor, como você quiser. Vou conversar com o prof. Santoro, então.

Passando pelos cômodos da casa, Santo pôde avistar alguns docentes da ECA que, estranhamente, pareciam estar dando uma festa na casa de Santoro. Foram avistados Alice Mitika dançando ao som de Cansei de Ser Sexy, Rose vendo um filme francês na TV de 52" de Santoro e, por fim, Proença e o Mestre jogando um trucozinho com o tio do labri e Arnaldo, o gigante da secretaria. Ao avistar seu orientando, um sorriso de canto-de-boca, peculiar marca registrada do afrancesado professor, pôde ser visto no rosto de Santorrô.

— Ahh, mas se não é meu orientanto! Checa mais, meu querito!
— "Professor", disse Santo após se ajoelhar e beijar a mão com pêlos levemente coloridos de acajú, "o que tá acontecendo aqui? Tá uma putaria na sua casa!"
— Che che che, sempre tiscreto focê, não? É o sequinte: no primeiro te maio, os trapalhatores comemoram nas ruas, e a purquesia comemora tomando um finhozinho e xocanto carteato, meu caroto! Reuni todos os tocentes que sapem fifer a fita em meu pancalô.
— Porco capitalista, neo-liberal!
— Calessapoca e fai lá com o Alexantre xocar Secont Life, fai! Aliás, focê trouxe o trapalho te rátio que eu peti?
— ... VÔ VAZÁ!
— Hããããã... Não sei!, disse Arnaldo, só pra fazer uma ponta nesta história. [Aliás, estamos com saudades de você e sua não-sabedoria, caro Gigante!]

Pisado por todos que cruzavam seu caminho, Santo decidiu que só o Curintia importava daquele momento em diante. Voltou para casa e, após mentir para a mãe dizendo que foi procurar emprego, foi acompanhar o noticiário esportivo. Qual não foi sua surpresa ao descobrir o nome da nova contratação do Timão, o atacante salvador: GIOINO, ex-Palmeiras! [Nota do Postador: eu não o acho tão ruim assim.] Aquilo foi um choque para Renato Santino, que esperava um atacante como V. Love, Pato ou Ibrahimovic, assim como o xornalista Eduardo Savóia havia noticiado. Aquilo foi a gota d'água - nosso herói estava revoltado!

Santo saiu de casa aos berros, pisando firme e insultando todos em seu caminho. Nunca antes o mundo tinha presenciado tamanha fúria, nem mesmo com Godzilla, nem mesmo durante a luta entre Daileon e Satan Goss. O nível incalculável de decibéis causou segundo terremoto paulistano no período de um mês. Santo conseguiu, ainda, ofender cada ser vivo de nossa cidade.

Durante esse rampage, Renato Santino acabou acordando do transe na av. Paulista, onde os shows do 1º de maio já estavam no seu fim. Vendo aquela quantidade enorme de comunistas, seu espírito gozadinho falou mais alto e ele não titubeou: era a hora de fazer a piada da ditadura. Fingiu estar falando ao celular com algum reacionário e começou a disparar "porque na ditadura esses caras aqui nessa festa comunista da Paulista iam levar borrachada!" O show já tinha terminado, e a voz de Renato ecoava por toda a rua - na casa de Santoro, Rosana tremia.

— Você por acaso tem algum dado de violência durante a ditadura? Quero saber. E de corrupção? A ditadura militar foi uma dádiva; volta, Garrastazu! Comunistas, Cuba os espera!
— Companheiro reacionário neoliberal... nós vamo pegá você de pau.

Percebendo a merda que tinha acabado de fazer, Santo rapidamente fechou seu celular com o ímpeto de sempre -mais uma vez Rose teve calafrios - e vazou. Avistou no Terminal PQPedro ao fim da Paulista a chance de salvar a sua vida. Entrou nele e conseguiu se livrar da multidão enfurecida. No meio do trajeto para casa, perto da meia-noite de quinta, provavelmente - afinal, eu não sou um narrador onisciente - Renato Santino pensou "velho... se eu não pegar a integração logo, não vou chegar a tempo da aula do De Paula!"

Assim, nosso herói corintiano maloqueiro e sofredor desceu do PQPedro para poder pegar o Butantã-USP e chegar na ECA a tempo da aula segunda de manhã. Eis aqui um exemplo de L.U.P.

Moral da história: Em casa de ferreiro, quem tá na chuva aqui se paga.