Publicado originalmente na revista Realidade, com o Pelé na capa.
"Não quero essa bosta de feijão, tia!". É assim que Renato Santino da Silva começa sua tarde de muita produção na Universidade de São Paulo, passando pelo famoso Restaurante Central após conseguir o ticket de algum transeunte desavisado.
[o feijão é um alimento muito nutritivo e importante em uma alimentação balanceada]
Santo, como é conhecido por seus amigos de sala, adora ir no "bandejão" na hora do almoço, logo após uma importante aula do professor De Paula Tejano. Entre uns poemas de Camões, a agudeza y engeño de Manuel Botelho Pinto e as bundas costosa de Jorge Amado, o corintiano aumenta seus conhecimentos sobre literatura, que a essa altura já são vastos.
[Quem Castro Alves? Machado de Assis! Como? Camões! Essa de novo? Não, Eça de Queiroz!]
Sim, corintiano. Nosso personagem nasceu na zona leste, famoso reduto gambático, e desde então, após o tapa na bunda primordial, vem chorando em alambrados e perdendo para o River Plate. Mas algo parece estar errado nessa afirmação. "Nunca fui no Paca, estádio de pobre!", revela Santo, que nunca assistiu ao vivo a uma das incontáveis derrotas do """coringão""" para o São Paulo ou o Palmeiras, seus carrascos eternos. Essa é a corrente do corintianismo fake, segundo estudos do professor Butico do MIT (Matuto Institute of Technology). Renato Santino defende-se, afirmando que sempre torce para o clube alviafro, principalmente quando o Corinthians está bem. "Faz tempo pra porra!", lembra.
[organizadas do """Timão""" mostram seus bandeirões multi-coloridos! Um ar-ra-so!]
Enquanto caminhamos de volta para a Escola de Comunicações e Artes, entre um tropeço aqui e uma olhada de canto de olho em uma japonesa acolá, o entrevistado abre seu coração. Diz se sentir lesado pelo sistema, por ter que trabalhar duro desde pequeno. O tempo de muitos serviços prestados como técnico de Informática na Escola Técnica Estadual Camargo Aranha (entra virgem e sai piranha), logo no 2º colegial, trazem lágrimas ao rosto do estudante. Santo conta uma história assustadora: "porra, eu lembro quando eu travei o PC da biblioteca jogando Tíbia... Aquela gorda nojenta da coordenadora me fez consertar o PC! Aí eu levei pra casa e trouxe de volta um Pense Bem pra enganar eles!"
[o famoso Pense Bem, mais potento que os computadores do Labri]
Já no primeiro ano de faculdade, o corintiano viu-se impossibilitado de estudar pois teve de ir à labuta. Foi assim que ele foi apresentado à Ricardo Viveiros Oficina de Comunicação, onde passava o dia atendendo a pedidos de jornalistas e contribuindo para o aquecimento da economia nesse nicho de mercado. "Eu lembro quando a minha chefe me pegou no orkut cinco minutos e meio depois de ter começado na Viveiros... Foi tenso!", recorda Santo, enquanto ri nostalgicamente desses dias dourados. Muito tempo depois, aproximadamente dois meses, Santino já estava no olho da rua. Mais uma vez em sua vida experimentava o amargo gosto da competição corporativa, imposta pelo sistema capitalista.
[um dos viveiros do Ricardo]
Hoje Renato Santino é um garoto que se dedica à pesquisa acadêmica. Três vezes por semana ele conduz experimentos na área de comunicação e fisioterapia (como por exemplo a teoria dos Quatro Erres formulada pelo doutor Rostás, que explica como agüentar 10 horas seguidas com a bunda em uma cadeira de escritório), tendo até dispensado uma bolsa Fapesp para tal. Segundo o pesquisador, o objetivo não é ganhar dinheiro, e sim contribuir para a comunidade, que tanto ofereceu a ele nesses anos em que fez parte da máquina do ensino público. "Os PCs do Labri são uma merda e o tio do Labri é um viado! Pelo menos todo dia tem uma gostosa aqui...", elogia o corintiano.
[uma das bundas costosa vistas numa tarde do Labri]
Mesmo assim, nem só do laboratório vive o homem. Portanto, um estágio na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas já está encaminhado, no qual Santo publicará suas matérias em um jornal semestral e cuidará do atendimento à imprensa através de uma linha telefônica cujo número não é divulgado a ninguém, a míseros 1560 (Hum Mil Quinhentos e Sessenta) reais semanais.

Renato Santino também sabe se divertir. Nas horas vagas, joga um truco com seus colegas de classe pelos corredores do Departamento de Jornalismo e Editoração. Ele é conhecido por ser o primeiro truqueiro a estabelecer um nível de risco mínimo para se trucar, que consiste na hora em qu
e ele possui pelo menos cinco manilhas. Além disso, a fama de Renato vai longe no que diz respeito ao carteado. Ele é considerado o maior maceiro do truco regional da Cidade Universitária do centro-norte, que pega áreas como a creche universitária, o banheiro do coseas e as pedras da praça do relógio. "Outro dia mandei três setes pro Erre, dois cincos e um rei pra mim! Assim que olhei as cartas, joguei no monte, mas o Chico e o Id tinham três quatros, um cinco e dois seis...", diz, contando suas peripécias.
[partida de truco exibida pela ESPN 8, "The Ocho"]
Por fim, Santo também é sempre visto como um exímio apoiador do transporte público. Passando várias de suas horas no trajeto casa-universidade-casa, o estudante já se tornou amigo de motoristas e cobradores das linhas que freqüenta, como o Terminal Pq. Dom Pedro, o Jd. D'Abril e o Urubupungá. Sentamos ao seu lado no Praça da Sé que caminhava com um motorista deprimido, por ter acabado de
terminar um casamento de 17 anos. "PORRA, QUERIA CHEGAR CEDO EM CASA HOJE... MAS PARECE QUE NÃO VAI DAR, ESSE MOTORISTA É UM VIADO!", brincou Renato Santino, dando petelecos nas orelhas do condutor.
[ônibus característico da Zona Leste paulistana]
Após algumas confusões durante o trajeto, o corintiano finalmente chega ao fim de mais um dia em sua agitada vida cheia de confusões. Apesar de sermos convidados para adentrar a residência do clã Silva, preferimos recusar. Afinal, um jornalista nunca deve aceitar mimos de suas fontes... "Quem vai vazá agora são vocês, seus putos! Me manda esse texto pra eu mudar as palavras e utilizar na AUN? Faltam só 10 pra eu passar...", despediu-se.
[Nadal comemora a bombada de Santo, com um tradicional YES! e um CHUPA SANTO!]
"Não quero essa bosta de feijão, tia!". É assim que Renato Santino da Silva começa sua tarde de muita produção na Universidade de São Paulo, passando pelo famoso Restaurante Central após conseguir o ticket de algum transeunte desavisado.[o feijão é um alimento muito nutritivo e importante em uma alimentação balanceada]
Santo, como é conhecido por seus amigos de sala, adora ir no "bandejão" na hora do almoço, logo após uma importante aula do professor De Paula Tejano. Entre uns poemas de Camões, a agudeza y engeño de Manuel Botelho Pinto e as bundas costosa de Jorge Amado, o corintiano aumenta seus conhecimentos sobre literatura, que a essa altura já são vastos.
[Quem Castro Alves? Machado de Assis! Como? Camões! Essa de novo? Não, Eça de Queiroz!]Sim, corintiano. Nosso personagem nasceu na zona leste, famoso reduto gambático, e desde então, após o tapa na bunda primordial, vem chorando em alambrados e perdendo para o River Plate. Mas algo parece estar errado nessa afirmação. "Nunca fui no Paca, estádio de pobre!", revela Santo, que nunca assistiu ao vivo a uma das incontáveis derrotas do """coringão""" para o São Paulo ou o Palmeiras, seus carrascos eternos. Essa é a corrente do corintianismo fake, segundo estudos do professor Butico do MIT (Matuto Institute of Technology). Renato Santino defende-se, afirmando que sempre torce para o clube alviafro, principalmente quando o Corinthians está bem. "Faz tempo pra porra!", lembra.
[organizadas do """Timão""" mostram seus bandeirões multi-coloridos! Um ar-ra-so!]Enquanto caminhamos de volta para a Escola de Comunicações e Artes, entre um tropeço aqui e uma olhada de canto de olho em uma japonesa acolá, o entrevistado abre seu coração. Diz se sentir lesado pelo sistema, por ter que trabalhar duro desde pequeno. O tempo de muitos serviços prestados como técnico de Informática na Escola Técnica Estadual Camargo Aranha (entra virgem e sai piranha), logo no 2º colegial, trazem lágrimas ao rosto do estudante. Santo conta uma história assustadora: "porra, eu lembro quando eu travei o PC da biblioteca jogando Tíbia... Aquela gorda nojenta da coordenadora me fez consertar o PC! Aí eu levei pra casa e trouxe de volta um Pense Bem pra enganar eles!"
[o famoso Pense Bem, mais potento que os computadores do Labri]Já no primeiro ano de faculdade, o corintiano viu-se impossibilitado de estudar pois teve de ir à labuta. Foi assim que ele foi apresentado à Ricardo Viveiros Oficina de Comunicação, onde passava o dia atendendo a pedidos de jornalistas e contribuindo para o aquecimento da economia nesse nicho de mercado. "Eu lembro quando a minha chefe me pegou no orkut cinco minutos e meio depois de ter começado na Viveiros... Foi tenso!", recorda Santo, enquanto ri nostalgicamente desses dias dourados. Muito tempo depois, aproximadamente dois meses, Santino já estava no olho da rua. Mais uma vez em sua vida experimentava o amargo gosto da competição corporativa, imposta pelo sistema capitalista.
[um dos viveiros do Ricardo]Hoje Renato Santino é um garoto que se dedica à pesquisa acadêmica. Três vezes por semana ele conduz experimentos na área de comunicação e fisioterapia (como por exemplo a teoria dos Quatro Erres formulada pelo doutor Rostás, que explica como agüentar 10 horas seguidas com a bunda em uma cadeira de escritório), tendo até dispensado uma bolsa Fapesp para tal. Segundo o pesquisador, o objetivo não é ganhar dinheiro, e sim contribuir para a comunidade, que tanto ofereceu a ele nesses anos em que fez parte da máquina do ensino público. "Os PCs do Labri são uma merda e o tio do Labri é um viado! Pelo menos todo dia tem uma gostosa aqui...", elogia o corintiano.
[uma das bundas costosa vistas numa tarde do Labri]Mesmo assim, nem só do laboratório vive o homem. Portanto, um estágio na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas já está encaminhado, no qual Santo publicará suas matérias em um jornal semestral e cuidará do atendimento à imprensa através de uma linha telefônica cujo número não é divulgado a ninguém, a míseros 1560 (Hum Mil Quinhentos e Sessenta) reais semanais.

Renato Santino também sabe se divertir. Nas horas vagas, joga um truco com seus colegas de classe pelos corredores do Departamento de Jornalismo e Editoração. Ele é conhecido por ser o primeiro truqueiro a estabelecer um nível de risco mínimo para se trucar, que consiste na hora em qu
e ele possui pelo menos cinco manilhas. Além disso, a fama de Renato vai longe no que diz respeito ao carteado. Ele é considerado o maior maceiro do truco regional da Cidade Universitária do centro-norte, que pega áreas como a creche universitária, o banheiro do coseas e as pedras da praça do relógio. "Outro dia mandei três setes pro Erre, dois cincos e um rei pra mim! Assim que olhei as cartas, joguei no monte, mas o Chico e o Id tinham três quatros, um cinco e dois seis...", diz, contando suas peripécias.[partida de truco exibida pela ESPN 8, "The Ocho"]
Por fim, Santo também é sempre visto como um exímio apoiador do transporte público. Passando várias de suas horas no trajeto casa-universidade-casa, o estudante já se tornou amigo de motoristas e cobradores das linhas que freqüenta, como o Terminal Pq. Dom Pedro, o Jd. D'Abril e o Urubupungá. Sentamos ao seu lado no Praça da Sé que caminhava com um motorista deprimido, por ter acabado de
terminar um casamento de 17 anos. "PORRA, QUERIA CHEGAR CEDO EM CASA HOJE... MAS PARECE QUE NÃO VAI DAR, ESSE MOTORISTA É UM VIADO!", brincou Renato Santino, dando petelecos nas orelhas do condutor.[ônibus característico da Zona Leste paulistana]
Após algumas confusões durante o trajeto, o corintiano finalmente chega ao fim de mais um dia em sua agitada vida cheia de confusões. Apesar de sermos convidados para adentrar a residência do clã Silva, preferimos recusar. Afinal, um jornalista nunca deve aceitar mimos de suas fontes... "Quem vai vazá agora são vocês, seus putos! Me manda esse texto pra eu mudar as palavras e utilizar na AUN? Faltam só 10 pra eu passar...", despediu-se.
[Nadal comemora a bombada de Santo, com um tradicional YES! e um CHUPA SANTO!]
6 comentários:
A vida do Santo dava tema pra um seriado, quiça até para um filme... já temos o roteiro inicial!
Vocês não sabem, mas o plano de infiltrar o Santo naquela faculdadezinha de filosofia foi meu! Assim, vou acabar de vez com aqueles subversivos!
O coronel é tão retrógrado que ainda acha que a FFLCH fica na Maria Antônia...
Não fale assim do velho Lopes... tudo bem que ele já tem uma certa idade, mas ainda não nasceu ninguém que pegue um subversivo de jeito como ele...
Que sautates tesse ploc!
Santo é baitola
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