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sexta-feira, 7 de março de 2008

O paradeiro...

Olá, amiguinhos!

Nas últimas semanas recebemos incontáveis telefonemas e e-mails solicitando que botássemos nosso faro jornalístico para funcionar e, fazendo jus ao caráter investigativo deste ofício, descobríssemos o paradeiro de um amado - e por que não dizer saudoso - colega de classe. Pois bem, a Equipe FurrECA foi atrás, viajou o mundo, e, através de fontes suspeitas e contatos escabrosos, localizou ninguém menos que Daviiiiiiiiiid, o jornot perdido.

Entenda o caso Daviiiiid

No início do segundo semestre de 2007, o bonachão David "Pancho" Gómez, assíduo desde o início do curso, simpático, sociável e brejeiro, começou a dar sinais de um estranho comportamento. Não assistia mais às aulas de Teocom 2 (e até agora não entendemos a razão), nem da Carla, sua professora preferida, e tampouco cumpria com suas obrigações no conselho editorial do NJSR. Entretanto, embora bizarro, o comportamento de Daviiiiid não era notado pela maioria da sala, inclusive pelos membros da equipe que vos informa no momento. Foi quando um fato nos chamou a atenção.

Numa noite de sexta-feira, após assistirmos duas horas e meia de uma interessante aula sobre diagramação em guardanapos, ministrada pela querida Carlinha, caminhávamos em direção ao ponto de ônibus. [A descrição que segue será feita no mais puro estilo narrativo dos contos de mistério. Segurem seus chapéus, amiguinhos.]

Era noite. Estava escuro (!!!). Havia neblina, e o silêncio era absoluto. Quase próximos aos bancos, avistamos uma figura que procurava se ocultar nas sobras. Falava ao celular. Nos aproximamos cautelosamente, e constatamos que se tratava de nosso colega de classe. Um pouco mais próximos, notamos que Daviiiiid demonstrava certo nervosismo ao falar com seu misterioso contato. Percebemos que ele conversava em outro idioma, logo identificado por RRRR - italiano.

O diálogo que segue abaixo é uma reprodução fiel da conversa de Daviiiid pelo celular. Ok, não tão fiel porque a Equipe FurrECA não tinha nada anotado, falou de cabeça. O interlocutor misterioso pôde ser ouvido porque Daviiiid conversava pelo viva voz, não se sabe por quê.

Daviiiiid: "Imperatore!"

Interlocutor misterioso, bobo, chato e feio: "Pagliaaacci!!!"

Daviiid: "Raviole, pasta ciuta. Volaree, ô ô. Cantare, ô ô ô ô."

Interlocutor misterioso, bobo, chato e feio: "Nel blu, dipinto di blu. Felice di stare lassù!"

Daviiid: "O quêêêê???"

Interlocutor misterioso, bobo, chato e feio: "Ciao, bello!"

Daviiid: "Dove essere il prospetto?*
*onde está a lista?

Depois desse episódio Daviiiid não foi mais visto. Sobraram especulações sobre seu paradeiro. Um bolão feito pela comunidade boliviana no Brasil apontava o Himalaia como destino mais provável. Segundo Morález, vendedor de flautas em frente ao bandejão central, Daviiiid teria se afastado da civilização para um retiro espiritual entre os monges tibetanos.

Como a Equipe FurrECA não gosta desses clichês, decidimos desconsiderar a pista e iniciar a investigação por conta própria. A Itália nos parecia um bom palpite, a julgar pela misteriosa conversa que havíamos ouvido. RRRR vendeu sua coleção de pôsteres do Adriano, Id, sua coleção de perucas, Chico, 250 litros de leite e 150 kg de milho (produção caseira), e Santo vendeu suas milhas acumuladas em viagens pra casa. Levantado o capital, a Equipe FurrECA viajou para a terra da Azzurra.

Aaah, Itália...
Talvez um dia contemos os detalhes dos acontecimentos entre o momento em que chegamos na Itália e quando, finalmente, encontramos Daviiiid, mas agora bateu uma preguiça... A única coisa que realmente vale a pena mencionar é a escala que fizemos na França. Ninguém é de ferro. Sabemos que é contra a ética jornalística aceitar mimos de possíveis fontes, mas não pudemos resistir a um convite do Mestre Santoro para jantar. Como essa piada já está ficando batida, vamos parar por aqui. Não há mais necessidade de descrever o que significa jantar com o Mestre na Cidade Luz.

Já na Itália, um contato nos indicou a cidade de Florença como o provável destino de Daviiiiid. Quando lá chegamos, nos deparamos com uma cena intrigante. A população florentina estava inquieta. Havia reclamação nas ruas, bem como por parte dos jornalistas e dos crítiticos de arte. Falavam de um tal "absurdo", uma "ofensa a uma cultura de séculos, ao bom gosto, à memória de um dos maiores artistas que a humanidade já conheceu".

Conversando com os habitantes, descobrimos o motivo das reclamações. Semanas atrás, uma importante obra de arte havia sido roubada da Accademia di Belle Arte. Os florentinos ficaram arrasados. Tratava-se de uma obra com a qual se identificavam, e o furto mexeu com os brios daquele povo. As autoridades começaram a notar traços de uma depressão coletiva, com tendências homicidas, e não suicidas, como de costume.

Temendo uma reação violenta da população indignada, o governo de Florença tomou medidas extremas para conter a situação, que ameaçava fugir do controle. Movidos pelo desespero, responsáveis pela Accademia, em conjunto com o governador, substituíram a obra por uma réplica, crendo piamente que a falcatrua passaria despercebida pela atenta população.

A obra roubada:

David, do artista renascentista Michelangelo.















Ao chegarmos à Accademia di Belle Arte, qual não foi nossa surpresa ao encontrarmos Daviiiiiiid, nosso desaparecido compadre jornot, vivendo em Florença. Nu, pintado de branco dos pés à cabeça, Daviiiid estava desempenhando nada mais nada menos do que a função de substituto da estátua de Michelangelo.

Daviiid, uma cagada do governo de Florença.
















Não conversamos com ele. Iria causar constrangimento, e isso era desnecessário. A Equipe FurrECA tem bom senso, e não se agrada com a exposição das fraquezas humanas e a humilhação pública. Demos meia volta, e decidimos retornar ao Brasil. Na saída, ainda pudemos ver um poodle urinando na estátua David fake. Ao longe, alguém repreendia o cãozinho: "Astérix, focê não pote fasser isso, menino mau! Fai mixar lá fora, seu tanatinho!"

Voltamos à pátria com o senso de dever cumprido. Esclarecemos o mistério do sumiço de Daviiid, prestando mais um grande serviço à comunidade Ecana. Aos que sentirem falta do amigo bonachão, visitem a Accademia di Belle Arte, tirem fotos, espantem as moscas e os totós, e batam um papo com o meninão. Certamente ele apreciará a iniciativa, já que a vida de estátua pode ser um tanto monótona.

Até mais, amiguinhos!